Padre José Fernandes Ribeiro

P. Ribeiro

Nasceu em São Torcato, na aprazível e úbere Quinta de Alvelhe, situada além da Corredoura e a meia encosta de São Cosme e São João de Segade, a 09 de Julho de 1919, de uma família de agricultores razoavelmente abastada e próspera, sendo os seus progenitores Inácio Fernandes Ribeiro e Clara de Sousa.

Aos 22 anos e cinco meses, com ordenação prevista no calendário para as têmporas do Advento que acontece propriamente em 20 de Dezembro de 1941, é ordenado pelo Arcebispo Primaz de então, D. António Bento Martins Júnior, cantando a sua Missa Nova no Santuário de São Torcato onde o dinamismo do Abade Padre Henrique esmerou de forma inexcedível toda a ambiência celebrativa ao novel Sacerdote.

Vivia-se na confrangedora guerra mundial de 39 a 45. A aventura altaneira que se propunha ao levita do Senhor era pugnar pelo império da justiça, da paz e do amor entre os homens. O jovem padre Ribeiro enceta, desde então, o seu ministério sacerdotal com uma breve e fugaz estadia em Creixomil, mesmo ao lado do Reitor que foi o Padre Manuel Freitas Leite, outra figura carismática de enorme estatura, inesquecível do presbitério vimaranense nas décadas de 40 e 50 aí o Padre Ribeiro caldeou o amor aos mais desfavorecidos, gritantemente exaltados até à exaustão por aquele apóstolo dos pobres o referido Reitor de Creixomil. De imediato a 30 de Agosto de 1941, aos 23 anos de idade é nomeado pároco de São Lourenço de Selho, abade residente que todavia a partir de 1 de Junho de 1945, lhe é atribuída em acumulação a paróquia de Asorém, até aí administrada pelo Reitor João Fernandes Machado de Fermentões.

P. Ribeiro

A data que historicamente define o começo da vida paroquial em Asorém é esta: 1 de Junho de 1945. Daí até ao seu falecimento decorrem aproximadamente 35 anos de intenso e profícuo labor, no ministério que lhe é confiado, com relevância nos mais importantes sectores da vida pastoral paroquial de então. Pároco de Asorém.

A alma do Padre Ribeiro contraía-se de emoção no maior anelo do mundo: o amor às crianças. E é por aí que se adivinha o seu fecundo apostolado nos anos subsequentes. Digamos que de 45 a 51, quer no Hospital quer na Paroquial as Eucaristias e devoções eram animadas por um grupo de senhoras, por certo muito respeitáveis, mas que a determinada altura estariam anquilosadas e por suposto em contrafacção ao chamamento das crianças, meninos e meninas, para cantarem no mesmo grupo, e daí até se desfazer o conjunto das senhoras foi um passo muito curto, privilegiando-se de imediato a criação de um grupo infantil muito forte e, onde não se excluía ninguém. Foi aí que se estructurou o Grupo Coral de Asorém.

Que espanto de Catequese a cantar com mais de 300 vozes, gregoriano sobretudo e, canções marianas, eucarísticas e missas a duas vozes, sem esquecer o latim das vésperas do Santíssimo, em gregoriano também! O próprio Padre Ribeiro chegou a frequentar as semanas gregorianas de Fátima com o objectivo de adquirir uma maior vivência na prática desta música sempre preconizada pela Igreja.

P. Ribeiro

As crianças viraram adolescentes, mantiveram-se na juventude e cresceram cantores de enorme tarimba rítmica e enquadramento vocal para bem executar já então polifonias exigentes e complicadas, não obstante cujas dificuldades eram vencidas pela experiência feita com o gregoriano e a delicada acentuação melódica dos mestres envolvidos na mesma tarefa: ele o fundador, poço de trabalho consagrado à música sem reservas, a prestantissima presença do Dr. Manuel Faria e do Dr. Coutinho Brandão constituíam uma tríade inultrapassável.

Não podia acontecer melhor em sorte e em fortuna e, pela bênção da Providência Divina, para catapultar aos mais altos voos, agora sim, o Grupo Coral de Asorém, executando o trabalho dos trechos litúrgicos a 4 vozes mistas: quer um quer outro, tanto regiam como tocavam o excelente Tech Harmonium, que à sua morte legou à Igreja do Hospital e, que sempre acompanha as retumbantes actuações daquela Igreja.

Numa manhã calma e festiva do dia de Páscoa e, já no decurso do compasso pascal, quando de casa em casa fazia retinir na sua voz doce e cativante o aleluia solene da Ressurreição, ei-lo que tomba inerte como um gigante humildemente vergado, tão só ao peso do ministério sacerdotal que ele porfiou viver a tempo inteiro e a níveis de labor diário, programado e integérrimo que, sem rebuço, diria quiçá inultrapassável.

Era o dia 6 de Abril de 1980. Perfaria a 9 de Julho seguinte 61 anos de idade. Curvêmo-nos perante a sua memória.

Padre Armando Luís de Freitas
Licenciado em História